Relógio
Cognição
Teste do Desenho do Relógio — completo (Sunderland 1–10 + análise qualitativa de Shulman) — Peça: “desenhe um relógio com todos os números e marque 11h10”. Pontuação global de Sunderland (0–10) somada à conferência qualitativa dos elementos do desenho.
O escore é a soma das respostas das 5 questões deste instrumento, variando de 0 a 16 pontos.
Pontos por item
- Pontuação global de Sunderland (escolha a descrição que melhor corresponde ao desenho)de 0 a 10 pontos
- Contorno: círculo fechado, proporcional e sem distorçõesde 0 a 1 pontos
- Números: os 12 presentes, na sequência correta e bem distribuídosde 0 a 2 pontos
- Ponteiros: dois ponteiros de tamanhos diferentes marcando 11h10, partindo do centrode 0 a 2 pontos
- Ausência de perseveração, negligência do hemicampo esquerdo ou “fenômeno pull-to-stimulus” (marcar o 10 por causa do “10” de 11h10)de 0 a 1 pontos
Faixas de interpretação
0–5 pontosAlteração grave
Desorganização visuoespacial e executiva marcante (Sunderland ≤ 5 é o corte clássico para demência). Prognóstico: elevada probabilidade de demência instalada, com risco de perda de IAVDs (finanças, medicação, direção) e de vulnerabilidade civil; encaminhar para estadiamento (CDR/FAST) e avaliação de capacidade.
6–9 pontosAlteração moderada
Falhas de planejamento e de representação do mostrador. Prognóstico: sugere comprometimento cognitivo maior ou disfunção executiva (também vista em doença cerebrovascular e demência frontotemporal); complementar com MEEM completo, MoCA e neuroimagem.
10–12 pontosAlteração leve
Erros discretos de espaçamento ou de posicionamento dos ponteiros. Prognóstico: compatível com comprometimento cognitivo leve, com risco anual de conversão para demência de ~10–15%; reavaliar em 6 meses com testes de memória episódica.
13–14 pontosLimítrofe
Desenho quase íntegro, com um único elemento imperfeito. Prognóstico: acompanhar; considerar baixa escolaridade, déficit visual, tremor ou artrose como fatores de confusão antes de atribuir a causa cognitiva.
15–16 pontosDesenho preservado
Execução íntegra do contorno, dos números e dos ponteiros. Prognóstico favorável para funções executivas e visuoespaciais; lembrar que o teste isolado não exclui déficit de memória — associar MEEM completo ou MoCA quando houver queixa.
Nenhuma faixa selecionada ainda.
Instrumento de rastreio: a interpretação não substitui a avaliação clínica.
Escala: 0 a 16 pontos (Sunderland 0–10 somado a 6 pontos de análise qualitativa)
0–5 ptsAlteração grave
Desorganização visuoespacial e executiva marcante (Sunderland ≤ 5 é o corte clássico para demência). Alta probabilidade de demência instalada, com perda das IAVDs complexas e vulnerabilidade civil e financeira.
Conduta: Estadiar com CDR/FAST, suspender direção veicular, revisar autonomia para finanças e medicação e avaliar necessidade de proteção jurídica.
6–9 ptsAlteração moderada
Falha de planejamento e de representação do mostrador. Padrão frequente em demência vascular, demência frontotemporal e doença de Alzheimer em fase intermediária; associa-se a maior risco de erros de medicação e acidentes.
Conduta: Complementar com MEEM completo, MoCA e neuroimagem; avaliar fatores vasculares e funções executivas com testes específicos.
10–12 ptsAlteração leve
Erros discretos de espaçamento ou de posição dos ponteiros. Compatível com comprometimento cognitivo leve, com risco anual de conversão para demência em torno de 10 a 15%.
Conduta: Reavaliar em 6 meses, checar memória episódica e monitorar funcionalidade instrumental relatada pelo informante.
13–14 ptsLimítrofe
Desenho quase íntegro, com um único elemento imperfeito. Prognóstico geralmente favorável quando não há queixa funcional associada.
Conduta: Antes de atribuir causa cognitiva, considere baixa escolaridade, déficit visual, tremor e artrose. Repita em 12 meses se houver queixa.
15–16 ptsPreservado
Contorno, números e ponteiros íntegros, sem perseveração ou negligência. Funções executivas e visuoespaciais preservadas no momento do exame.
Conduta: Não exclui déficit de memória: associe o MEEM completo ou o MoCA sempre que houver queixa do paciente ou do informante.
Não interpretar nestas situações
- Déficit motor que impeça o desenho: hemiparesia do membro dominante, tremor incapacitante, artrose grave das mãos.
- Baixa acuidade visual não corrigida, hemianopsia ou negligência visual de causa ocular.
- Delirium, sedação ou agitação psicomotora no momento do exame.
- Analfabetismo com desconhecimento do relógio analógico — a pessoa nunca aprendeu a representação avaliada.
Interpretar com ressalva
- Escolaridade menor que 4 anos: erros de espaçamento e de números são mais frequentes sem significar demência.
- Depressão e ansiedade, que reduzem o planejamento e o esforço na tarefa.
- Uso habitual apenas de relógio digital, o que dificulta a representação de 11h10.
- Pull-to-stimulus (marcar o número 10 por causa do “10” de 11h10) sugere disfunção executiva frontal e deve ser descrito no laudo, não apenas pontuado.
Contextos em que o resultado é útil
- Rastreio rápido de disfunção executiva e visuoespacial, inclusive à beira do leito.
- Complemento ao MEEM completo quando o escore é normal mas há queixa (o relógio é mais sensível a déficit executivo).
- Avaliação de aptidão para dirigir, gerir finanças e administrar a própria medicação.
- Suspeita de demência vascular, frontotemporal ou por corpos de Lewy, em que o padrão qualitativo do erro orienta a hipótese.
Acompanhamento: Guarde o desenho original junto ao prontuário: a comparação visual entre reaplicações mostra progressão com mais clareza do que a diferença de pontos.
